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A História da Colónia de Leprosos de Spinalonga

Como a fortaleza veneziana se tornou na última colónia de leprosos da Grécia, a comunidade que os residentes construíram, o seu encerramento em 1957 e o romance The Island, de Victoria Hislop.

Atualizado em agosto de 2026 · Equipa de Concierge de Spinalonga Tickets

A história mais marcante de Spinalonga é o seu meio século como colónia de quarentena para a lepra — a última colónia de leprosos da Grécia — entre 1903 e 1957. Por detrás das imponentes muralhas venezianas de uma fortaleza erguida em 1579, pessoas diagnosticadas com a doença de Hansen, isoladas pelas águas, construíram uma verdadeira comunidade com uma rua principal, lojas, um hospital e uma igreja. A história da ilha chegou a um público mundial através do romance The Island, de Victoria Hislop. Este guia, escrito para informar e homenagear as pessoas que aqui viveram, aborda a origem da colónia, a vida que os residentes criaram, como e porquê foi encerrada, e como o romance levou a ilha ao mundo — uma história humana tratada com respeito, não com espetáculo.

Como é que Spinalonga se tornou numa colónia de leprosos?

Spinalonga tornou-se uma colónia de leprosos em 1903, quando as autoridades cretenses designaram a ilha fortificada como local para cuidar e isolar pessoas com lepra, então uma doença incurável e muito temida. A ilha era ideal para o propósito da época: cercada pelas fortes muralhas venezianas de 1579 e separada do continente pelo mar, oferecia o isolamento que a medicina do início do século XX considerava necessário para conter a doença. As últimas famílias muçulmanas que viviam na fortaleza sob o domínio otomano partiram, e os edifícios que deixaram tornaram-se nas primeiras casas da nova comunidade. Nos anos seguintes, pessoas diagnosticadas com lepra foram levadas para Spinalonga, primeiro de toda a Creta e, após a integração da ilha no Estado grego, de todo o país.

Para aqueles que ali eram enviados, a chegada representava uma separação dolorosa da família e da vida anterior, e a própria doença carregava um forte estigma. No entanto, a escolha de Spinalonga também deu aos residentes algo invulgar: uma ilha inteira só para eles, com espaço, edifícios e, com o tempo, autonomia para moldarem a sua própria comunidade, em vez de viverem confinados a uma enfermaria de hospital. Compreender este começo — uma doença temida, a medicina da época e uma ilha-fortaleza já pronta — é a chave para ler as ruínas por onde hoje caminha, e para apreciar tanto as dificuldades enfrentadas pelos residentes como a vida notável que vieram a construir por detrás das antigas muralhas.

Como era a vida na colónia?

A vida na colónia de Spinalonga foi muito mais do que o isolamento que o nome "colónia de leprosos" sugere. Por detrás das muralhas venezianas, os residentes construíram e mantiveram uma verdadeira comunidade, com uma rua principal ladeada por lojas e pequenos negócios, cafés, uma lavandaria, um hospital e a igreja de Agios Panteleimon no seu centro. As pessoas casavam, criavam famílias onde podiam, prestavam serviços uns aos outros e geriam grande parte da sua vida quotidiana de forma autónoma. Os novos chegados, alguns deles instruídos e engenhosos, ajudaram a organizar a comunidade, a lutar por melhores condições e a trazer um sentido de dignidade e de vida normal a uma ilha que o mundo exterior tinha dado por perdida. Ao percorrer hoje a rua da colónia, passando pelas casas e edifícios públicos, ainda se consegue ler essa vida quotidiana na disposição do lugar.

Isto não significa romantizar o que foi, especialmente nos primeiros anos, uma existência dura e muitas vezes desesperada. Os cuidados médicos eram limitados, os abastecimentos dependiam de barcos vindos do continente, e os residentes viviam com a doença, a perda e a dor da separação das suas famílias. Mas as condições melhoraram ao longo das décadas, particularmente depois de a ilha ter passado para uma administração estatal mais completa e, mais tarde, à medida que os tratamentos avançaram. A história de Spinalonga é, portanto, dupla — de sofrimento e estigma por um lado, e de resiliência, solidariedade e comunidade por outro — e os relatos mais honestos da ilha conseguem conter ambas as dimensões. A nossa recomendação é percorrer as ruas devagar e deixar que os pormenores do quotidiano, as fachadas das lojas e a igreja, falem das vidas que aqui foram vividas, e não apenas da doença.

Quando e por que razão encerrou a colónia?

A colónia de Spinalonga encerrou em 1957, posta fim pelo avanço da medicina. Nos anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, tratamentos farmacológicos eficazes para a lepra — nomeadamente os fármacos sulfónicos — transformaram a doença de uma sentença incurável numa condição tratável, e o isolamento rigoroso que justificara lugares como Spinalonga deixou de ser medicamente necessário. À medida que os residentes eram curados ou podiam ser tratados em hospitais comuns, a população da ilha foi diminuindo, e a colónia foi finalmente dissolvida, com os restantes residentes a deixarem a ilha que tinha sido o seu lar. Spinalonga foi uma das últimas colónias de leprosos da Europa a encerrar, marcando o fim de uma era no tratamento da doença.

Durante algum tempo após o encerramento, a ilha permaneceu praticamente vazia e silenciosa, com os seus edifícios a envelhecer lentamente, um lembrete pungente da comunidade que ali vivera. A igreja de Agios Panteleimon continuou a ser um foco de memória, e a ilha foi reconhecida como monumento pela sua história em camadas. Nas décadas seguintes, Spinalonga tem sido cuidada como património, com as suas fortificações venezianas e edifícios da colónia conservados e abertos aos visitantes. O encerramento da colónia foi, acima de tudo, uma história de esperança — o momento em que a medicina alcançou uma doença que causara tanto medo e sofrimento — e essa nota de libertação faz parte daquilo que os visitantes levam da ilha hoje, juntamente com a memória daqueles que viveram as suas vidas por detrás das suas muralhas.

Como é que A Ilha, de Victoria Hislop, tornou Spinalonga famosa?

A história de Spinalonga chegou a um público global em 2005 com a publicação de A Ilha, um romance da escritora britânica Victoria Hislop. O livro acompanha várias gerações de uma família cretense cujos destinos se entrelaçam com a colónia de leprosos, tecendo a história real de Spinalonga numa comovente saga familiar. Tornou-se um best-seller internacional, foi traduzido para muitas línguas e adaptado numa série de televisão grega extremamente popular, To Nisi. Quase de um dia para o outro, uma ilha pouco conhecida fora de Creta tornou-se um dos monumentos mais visitados da região, à medida que leitores de todo o mundo procuravam o lugar real por detrás da história que tinham aprendido a amar.

O sucesso do romance moldou a forma como muitas pessoas experienciam Spinalonga hoje. Uma grande parte dos visitantes chega tendo lido A Ilha ou visto a série, e percorrer a rua principal da colónia, a igreja e o túnel do Portão de Dante confere à ficção uma poderosa realidade física. Ler o livro antes de uma viagem a Creta é uma das melhores formas de preparação, aprofundando o significado daquilo que, de outra forma, pode parecer simples ruínas. Ao mesmo tempo, vale a pena manter a distinção entre a ficção e a história: o romance é inspirado em acontecimentos reais, mas não é um documentário, e por detrás dele estão as vidas reais e individuais dos residentes da ilha. A forma mais gratificante de visitar é deixar que o romance o envolva e, depois, honrar a verdadeira história das pessoas que viveram em Spinalonga.

Perguntas frequentes

Quando foi Spinalonga uma colónia de leprosos?

De 1903 a 1957. Durante mais de meio século, a ilha fortificada serviu como colónia de quarentena para a lepra — a última colónia de leprosos da Grécia — e uma das últimas da Europa a encerrar, terminando apenas quando os tratamentos farmacológicos eficazes para a lepra tornaram o isolamento desnecessário.

Porque foi Spinalonga escolhida para a colónia?

Porque a ilha, cercada pelas fortes muralhas venezianas de 1579 e isolada pelo mar, oferecia o isolamento que a medicina do início do século XX acreditava ser necessário para conter a lepra. Os edifícios vazios da fortaleza também deram à nova comunidade casas já prontas.

Como era a vida na colónia?

Mais dura do que um resort, mas muito mais rica do que o nome sugere: atrás das muralhas, os residentes construíram uma verdadeira comunidade, com uma rua principal de lojas, um hospital e a igreja de Agios Panteleimon, gerindo grande parte do seu quotidiano com dignidade e solidariedade.

Porque é que a colónia fechou em 1957?

Porque a medicina alcançou a doença. Os tratamentos farmacológicos eficazes contra a lepra após a Segunda Guerra Mundial tornaram o isolamento rigoroso desnecessário; os residentes foram curados ou tratados em hospitais comuns, e a colónia foi dissolvida — uma história que termina em esperança.

Spinalonga é a ilha do livro de Victoria Hislop?

Sim. Spinalonga é a ilha real no centro do best-seller de 2005 de Victoria Hislop, A Ilha, e da série televisiva grega baseada nele, que acompanham uma família cretense ligada à colónia. O romance levou a história da ilha a um público mundial.

Como devo abordar a história da colónia numa visita?

Com respeito. Este é um lugar real onde pessoas reais viveram e morreram. Deixe que a áudio-história e os painéis do local lhe deem o contexto humano, percorra as ruas e o cemitério com ponderação, e trate os edifícios como memória, não como espetáculo.